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Colesterol alto: um perigo silencioso

quarta, 04 de janeiro de 2017

Colesterol alto: um perigo silencioso

Diante de uma pizza quatro queijos, um cheese bacon ou outra iguaria cheia de colesterol, a boca saliva e se abre, sorridente. Enquanto isso, muitas vezes o coração e as artérias do corpo sofrem quietos até um infarto ou um derrame mostrarem a consequência extrema da hipercolesterolemia – presença de uma quantidade de colesterol acima do normal no sangue.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, não há uma estimativa de quantos brasileiros convivem com essa doença silenciosa. Mas grande parte das 350 mil mortes ocorridas no país ao ano, por doenças cardiovasculares, está relacionada a um índice elevado dessa substância.

Função e produção

Presente apenas em animais, o colesterol em si não é um vilão. Sintetizado no fígado, é um álcool que se comporta como gordura, sendo útil ao organismo de várias formas, como na síntese da vitamina D e na produção de hormônios e do ácido biliar.

No sangue, ele é transportado basicamente por dois tipos de lipoproteínas muito citadas, mas pouco entendidas. Uma delas é a de baixa densidade (LDL, na sigla em inglês). Ela ganha o nome de “mau colesterol”, pois, em excesso, acumula-se e forma placas nas artérias, gerando entupimentos. A lipoproteína de alta densidade (HDL), por outro lado, é chamada de “bom colesterol”, pois remove o LDL das artérias, levando-o de volta ao fígado.

Como explica o cardiologista Mário Cerci, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em um organismo normal, 70% do colesterol é produzido pelo corpo, naturalmente, e 30% deve ser ingerido através de alimentos. “O problema é quando o indivíduo ingere colesterol demais, especialmente o rico em LDL, ou quando o corpo, por um fator genético, produz mais do que devia. Nessa situação, mesmo que uma pessoa tenha uma boa dieta, ela precisa tomar medicamentos para reduzir essa taxa”, observa Cerci.

Mudança de hábito

No caso da decoradora Adriana Piccoli, 43 anos, sua hipercolesterolemia se relacionava tanto com a sua genética quanto com a sua alimentação. Seus pais tinham problemas de colesterol alto e ela, após enfartar aos 31 anos, precisou reduzir drasticamente o nível dessa substância para evitar um novo susto.

Para ela, o hábito de ingerir alimentos gordurosos foi inicialmente difícil de mudar, pois estava ligado a costumes de família. “Ao refogar uma couve, por exemplo, minha avó enchia o fundo da panela de azeite. Sendo que eu, hoje, aprendi a refogar só com água e um pingo de óleo”. A decoradora hoje também substituiu o leite integral (repleto de colesterol) pelo desnatado e só come queijos light. Ao mesmo tempo, também controla a sua taxa com medicamentos.

Sem estereótipo

Apesar de muitos pensarem que o nível elevado de colesterol só está presente em pessoas obesas, os médicos alertam para os falsos estereótipos. Afinal, pessoas acima do peso podem ter uma taxa normal, enquanto pessoas com o peso ideal podem estar com taxas elevadas.

O personal trainer Renato Cazula, 24, por exemplo, nunca ultrapassou seu limite de 76 quilos e, por sua profissão, faz exercícios diários. Mas, no fim de 2011, ao fazer um check up, verificou que sua taxa de colesterol total estava em 220 mg/dl – 20 mg/dl acima do normal.

Por não ter problemas genéticos, esse aumento só estava ligado à sua alimentação. “Eu estava trabalhando demais e não tinha tempo para fazer almoço e jantar, então apelava para o fast food, que é cheio de colesterol.”

Após o susto, ele agora reserva duas horas do seu dia para preparar refeições balanceadas, ingerindo mais fibras, sucos e carnes magras. O efeito foi imediato. “Meu LDL diminuiu, o HDL aumentou e o colesterol total baixou para 190”, conta ele.

Crianças

Hipercolesterolemia não tem idade

Cada vez mais crianças apresentam índices elevados de colesterol. Como acontece com os adultos, o sedentarismo, aliado a uma alimentação rica em gordura são as principais causas do problema, apesar de existirem fatores genéticos que podem estar associados.

Para a assistente jurídica Ana Carolina Galvão, 26 anos, foi um choque constatar há três meses que sua filha Maria Eduarda, 7 anos, estava com um colesterol total de 203 mg/dl. Isso quando, para crianças a partir dos 10 anos, o colesterol total considerado normal vai até 199. Antes dessa idade, é recomendável que ele fique bem abaixo disso. “Uma criança de até 5 anos costuma ter colesterol inferior a 150”, afirma o cardiologista Mário Sérgio Cerci.

“Não imaginava que criança novinha podia ter esse problema. Ainda mais a Maria, que só pesa 22 quilos”, diz Ana. A assistente jurídica agora estimula a filha a comer mais frutas e verduras, reduzindo bastante as frituras e o fast food. Além disso, em breve Maria deve começar a fazer uma atividade física.

Combate

Exercícios ajudam no controle

Se por um lado o estresse, o tabagismo e o álcool potencializam os efeitos nocivos do colesterol, por lesionarem as artérias do corpo, deixando-as mais vulneráveis a entupimentos, a atividade física é benéfica em relação ao controle da substância no sangue.

“Com o exercício, o corpo queima gorduras e parte do colesterol”, explica o cardiologista Mário Cerci. Além disso, a atividade reduz o estresse e a pressão arterial, que também fragiliza os vasos em relação ao colesterol.

Ciente disso, a funcionária pública Nermi de Almeida, 56, pratica ioga e dança do ventre três vezes por semana, para ajudar a baixar o seu nível de colesterol total, que já chegou a 301 mg/dl. “A atividade física também faz a gente diminuir a ansiedade. E isso reflete na alimentação, porque você controla melhor o impulso de comer descontroladamente”, observa ela.

Fonte: Viver Bem